Capacitação no exterior pode ser um divisor de águas

04/09/12, Portal Canal RH

A matéria, escrita por Arthur Chioramital, está no Portal Canal RH.

A necessidade de dominar uma segunda língua e, acima de tudo, saber interagir com outras culturas eram habilidades exigidas de um grupo restrito de colaboradores, geralmente altos executivos e profissionais das áreas de relações internacionais e comércio exterior. De uns tempos para cá, isso mudou. A intensificação do processo de globalização das empresas brasileiras tem levado um número cada vez maior de profissionais de todos os níveis a buscar capacitação fora do País. 

Segundo dados da Associação Brasileira de Intercâmbio Cultural (Abic), esse mercado cresceu 25% nos últimos três anos. Entre as áreas de maior interesse, destaque para Direito, Marketing, Finanças, Petróleo e Gás. “Os cursos de extensão com duração de 6 a 9 meses e que oferecem possibilidade de atuação em companhias estrangeiras são os mais procurados”, diz Ana Beatriz Faulhaber, diretora-executiva da CP4 Cursos no Exterior, especializada em consultoria em educação internacional e intercâmbio como planejamento de carreira. 

No entanto, as vantagens para o colaborador que decide sair do Brasil em busca de aprimoramento profissional vão muito além da aquisição de conhecimento técnico. Mais do que competência acadêmica, as empresas buscam profissionais capazes de atuar e resolver problemas característicos de ambientes culturalmente cada vez mais diversos. “No mundo corporativo atual não basta só saber um idioma, é preciso entender as pessoas e suas culturas e isso, só a vivência intercultural possibilita“, diz o diretor da Abic, Rafael Menezes. 

Marcelo Natale é um exemplo de profissional que saiu do Brasil em busca de novas perspectivas em sua área de atuação. Sócio do escritório brasileiro da Deloitte há 11 anos, ele foi convidado, em 2009, a integrar um grupo de 50 executivos de 26 países que passariam três anos na unidade da consultoria em Nova York. O objetivo do programa era aproximar os participantes da realidade dos clientes da Deloitte, além de possibilitar a troca de informações sobre a estrutura tributária dos países de origem dos consultores. No fim das contas, o intercâmbio extrapolou as expectativas. “Essa experiência no exterior representou uma mudança radical de perspectiva, tanto do cliente com relação a mim quanto o inverso.” 

De volta ao Brasil, em julho deste ano, Natale avalia que o período passado nos Estados Unidos pode ser considerado um divisor de águas em sua carreira. “Hoje, eu entendo muito melhor uma série de aspectos determinantes no meu trabalho, desde as dificuldades e dúvidas dos clientes, até a forma como executivos de outros países enxergam o Brasil”.

Para a gerente de RH da Deloitte, Rita de Souza, a oportunidade de passar algum tempo fora é fundamental para que os colaboradores desenvolvam uma visão globalizada do mundo. “Temos negócios em muitos países, isso exige que nossos colaboradores transitem entre ambientes e culturas diversos, a capacitação em outros países é uma das formas mais eficientes para desenvolver essas habilidades comportamentais.” 

Inglês ruim 

Preocupado com o número de universitários que deixam de ingressar em universidades americanas e do Reino Unido devido à falta de domínio da língua inglesa, o governo anunciou, em julho, a criação de um teste nacional de inglês para até 100 mil universitários e de cursos de reforço no idioma. 

A falta de proficiência em inglês não é um privilégio de universitários e recém-formados. Muitos profissionais se veem obrigados a adiar o projeto de estudar em outros países por não terem essa habilidade. “É aconselhável que o candidato se dedique ao estudo do idioma cerca de dois anos antes de iniciar o curso. Além da língua em si, é preciso que o aluno domine a linguagem técnica referente à sua área de atuação”, diz Ana Beatriz.

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